Galeria Millennium

entrada: Condições Gerais

Só porque foi, e voou

2023-11-03
2024-03-17
SINOPSE DA EXPOSIÇÃO

A exposição inaugura a 02 de Novembro às 18.30h e estará patente de 3 de novembro de 2023 até 17 de março de 2024 na Galeria Millennium bcp, no MNAC, contando com um diferenciado programa de mediação a anunciar em breve.

Partindo da leitura de “The Carrier Bag Theory of Fiction”, de Ursula K. Le Guin, o espaço expositivo opera enquanto recipiente, um contentor de diversas linhas de tempos e memórias de quem não é lembrado como herói, mas de quem coleciona e reúne (quase secretamente) objetos como relíquias do ser, do existir. Concomitantemente, ouvimos as estórias narradas pelas conchas, no ensaio “Shells and Time” de Italo Calvino, gravadas nas suas espirais, nas linhas 1do “caderno da terra” como centros múltiplos da ideia de cronologia, num tempo não linear, que não tem uma medida, apenas é. Derivando de cronologias tangentes, humanas e não-humanas, abordamos os tempos (não) presentes que, na contemporaneidade, se movimentam em direção a futuros possíveis.

Assente numa relação multidimensional, e multimodal, que reinterpreta o anacronismo, a transtemporalidade, a ficção, o temps mort, tendo o conto (e o livro) como pulsão centralizadora, Só porque foi, e voou, coloca em cena a investigação realizada pelos alunos do Curso de Mestrado em Estudos Curatoriais do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra em residência curatorial no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no contexto da parceria com a UmbigoLAB e a Fundação Millennium bcp. Este projeto conta ainda com o apoio do Plano Nacional das Artes.

Fazendo dialogar um conjunto de obras do acervo destas importantes Coleções com a produção de artistas portugueses representados na Plataforma online, o espaço do Museu surge, nesta equação, como possibilidade ensaística, lugar de experimentação e hipótese. A prática curatorial enquanto prática investigativa (e aplicada ao contexto académico) encontra nestas relações uma metodologia atuante, própria do pensamento fluído e comunicante (porque plural).
Numa espécie de cosmologia em trânsito, obras de artistas como Aurélia de Sousa, Columbano Bordalo Pinheiro, José de Almada Negreiros ou João Cristino da Silva apontam, presentemente, para novas narrativas geradas no encontro que a rede UmbigoLAB potencia: dos livros de horas de Ana Frois, dos líquidos de Andreia Santana e Catarina Domingues, das memórias tornadas objeto de Carla Cabanas e Eunice Gonçalves Duarte, das vanitas de Inês Brites e Horácio Frutuoso, das esculturas-presenças de Carla Rebelo e Carolina Serrano, dos corpos esfíngicos de Francisco Trêpa e Fernão Cruz às imagens suspensas de Henrique Pavão, é ficcionado um conto-cesta a ser lido a diversas vozes.

Artistas que integram a mostra:

Ana Frois
Andreia Santana
Aurélia de Sousa
Carla Cabanas
Carla Rebelo
Carolina Serrano
Catarina Domingues
César Barreiros
Columbano Bordalo Pinheiro
Eunice Gonçalves Duarte
Fernão Cruz
Francisco Trêpa
Henrique Pavão
Horácio Frutuoso
Inês Brites
João Cristino da Silva
João Onofre
Joaquim Valente
José de Almada Negreiros
José de Oliveira Ferreira
José Simões de Almeida
Veloso Salgado

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Seminário: 1 de março 2024

The Museum Is a School – Reflexões e conexões a partir da exposição "Só porque foi, e voou"

Só porque foi, e voou nasce do desafio proposto a estudantes do Mestrado em Estudos Curatoriais do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, que, num exercício de curadoria colaborativa e pensamento coletivo, partem das obras presentes na plataforma digital da UmbigoLAB para conceber uma mostra in situ, para as paredes da Galeria Millennium bcp, no MNAC em Lisboa.

No contexto da exposição, ela mesma fruto de um processo que cruza a educação, a mediação e a criação contemporânea, terá lugar, no dia 1 de março, das 10h às 18h, o seminário The Museum Is a School, inspirado pela abordagem inovadora de Luis Camnitzer. Em 2009, o artista, educador e teórico uruguaiano idealizou a instalação site-specific The Museum is a school; The Artist learns to communicate; The Public learns to make connections, uma resposta à afirmativa “This is a museum, not a school!”, a qual teria proferido o diretor do museu com o qual colaborava, após sugerir a criação de uma “estação de ensino” nos espaços expositivos da instituição.

Nesse sentido, o ciclo de conversas e atividades no MNAC materializa o projeto desta estação, ecoando como um convite à reflexão sobre o papel dos museus como espaços dinâmicos de aprendizado, experimentação e intercâmbio, a partir de diálogos entre instituições parceiras, estudantes, artistas e o público.

O dia inicia-se com a performance de Catarina Domingues, às 10h, segue-se uma visita guiada à exposição e a manhã termina com a conversa A face oculta do interior, Aurélia de Sousa por Maria de Aires Silveira.

O período da tarde, das 14h30 às 17h, reserva uma mesa redonda com Emília Ferreira, diretora do MNAC; o Embaixador António Monteiro e Fátima Dias, representantes da Fundação Millennium bcp; Elsa Garcia e António Néu, à frente da revista Umbigo e plataforma UmbigoLAB; Ana Rito e José Maçãs de Carvalho, do Mestrado em Estudos Curatoriais, CAUC; Hilda Frias, parte do Serviço Educativo do MNAC; Ana Guimarães, Regina Sousa e António Rasteiro, integrantes da equipa de produção do museu; alunas curadoras e artistas patentes em Só porque foi, e voou. Às 17h30, o seminário encerra com o lançamento da publicação da exposição e da performance e livro Escandecida, de Catarina Domingues. A participação é gratuita.

The Museum Is a School
Programa

10h – 12h30
Início da performance de Catarina Domingues
Visita guiada à exposição feita pela Coordenadora do Mestrado, Profª Ana Rito e os alunos de Estudos Curatoriais
A face oculta do interior, Aurélia de Sousa por Maria de Aires Silveira (MNAC)

14h30 – 17h

Mesa redonda com Emília Ferreira, Diretora MNAC; Embaixador António Monteiro e Fátima Dias – Fundação Millennium bcp; Elsa Garcia e António Néu – UmbigoLAB; Ana Rito e José Maçãs de Carvalho – Mestrado em Estudos Curatoriais, CAUC; Hilda Frias, Serviço Educativo MNAC; Alunas do Mestrado em Estudos Curatoriais – CAUC; Artistas patentes na exposição; Ana Guimarães, Regina Sousa e António Rasteiro (Equipa de produção, MNAC).

17h30
Lançamento da publicação da exposição Só porque foi, e voou

10h – 17h30
Performance ongoing e apresentação do livro Escandecida de Catarina Domingues

(entrada livre - MNAC, Rua Capelo, 13)