Piso 1 e 2

entrada: Condições Gerais

Are you still awake?

2012-12-13
2013-04-28
Curadoria: Emília Tavares

As relações entre arte e política são longínquas, quer sob a forma de legitimação ou de contrapoder. Ao longo do século XX, esta relação tornou-se particularmente profícua, desde a propaganda dos totalitarismos, aos movimentos de subversão e rutura como o Dadaísmo, o Surrealismo, ou o Fluxus, às correntes estéticas de denúncia como o Neorrealismo, às expressões artísticas associadas à defesa dos direitos civis e das mulheres nos anos 70, ou ainda à discriminação sexual, exponenciada pelo surgimento da Sida nos anos 80, só para citar alguns exemplos.

Paradoxalmente, estes movimentos de rutura com o sistema foram apropriados pelo mercado da arte, cuja valorização especulativa apoiada por um conjunto de mediadores, munidos de estratégias agressivas, tem dominado a produção artística até à atualidade.

A emergência de novas tipologias associadas aos meios de comunicação de massas, como a fotografia, o vídeo, o cinema, a televisão ou a internet foram determinantes na construção de diferentes linguagens artísticas rompendo com a aura da obra de arte que a distanciava do espectador, tal como previra o filósofo Walter Benjamin. Os museus deixaram de ser só espaços de contemplação e legitimação histórica da obra de arte, tendo-se tornado plataformas ativas de intervenção cultural. Com a democratização dos públicos em detrimento do elitismo cultural, o espectador ganhou um papel mais interventivo.

Em Portugal, no rescaldo da Revolução de Abril, o crítico Ernesto de Sousa, comissário da emblemática exposição Alternativa Zero (1977), denunciava a dificuldade dos portugueses em lidar com a contemporaneidade, reivindicando a necessidade de “clamar por um novo conceito em que a arte seja participação no real, no quotidiano de todos” enquanto o historiador José-Augusto França afirmava, no contexto da mesma exposição, que “a arte é sempre política”.

Na primeira década do século XXI, assiste-se a uma nova intensificação da relação entre arte e política para evocar velhas e novas problemáticas como o pós-colonialismo, as questões de género e de identidade, a injustiça e desagregação social, a especulação financeira, a destruição da paisagem, entre outras.

São estes os temas tratados nesta exposição temporária, num registo criativo, mas também de cidadania, ambicionando agir sobre a realidade, transformando-a, através da provocação, da ironia, do humor, da transgressão, do manifesto, da violência.

Algumas ausências da coleção foram colmatadas com a cedência de obras muito recentes, num diálogo constante e atualizado que o MNAC mantém com os artistas, acompanhando e divulgando a criação contemporânea nacional.

Emília Tavares

Curadora

Em Exibição

Inês Norton.

Please [do not] touch

2019-06-28
2019-10-27
Curadoria: Adelaide Ginga e Emília Ferreira
Esta exposição de Inês Norton sublinha a necessidade de recuperar a plena consciência do corpo, sob pena de perdermos o essencial do que é ser humano
Exposição individual

Henrique Vieira Ribeiro. O Arquivista. Projeto CT1LN: parte II

2019-06-19
2019-09-15
Curadoria: Adelaide Ginga
Exposição interactiva que consiste na Parte II do Projecto CT1LN, um projecto artístico que teve por mote o espólio de um rádio amador. A segunda parte, que aqui se apresenta, deixa ao público a exploração do tema
Exposição individual

Rui Macedo. (In)dispensável ou a pintura que inquieta a colecção do museu

2019-05-14
2019-09-29
Curadoria: Emília Ferreira
Recordando-nos que um artista é um caçador-recolector, um respigador de sentidos, de formas, problemas e propostas, esta exposição relembra-nos que um museu é um local de constante e inquietante descoberta.
Exposição temporária

A incontornável tangibilidade do livro ou o ANTI-LIVRO

2019-03-22
2019-08-04
Curadoria: Luis Alegre e Adelaide Ginga
Materialmente estimulante, imaterialmente ilimitado, o Livro é talvez, o objeto dos objetos
Exposição Coletiva

ARTE PORTUGUESA. RAZÕES E EMOÇÕES

2018-04-20
2019-10-27
Curadoria: Maria de Aires Silveira, Emília Tavares, Emília Ferreira
A presente exposição da coleção abrange grande parte do seu arco temporal, desde meados do século XIX até à década de 80 do século XX ocupando a totalidade das galerias da Ala da rua Serpa Pinto
Exposição da coleção