Piso 1 e 2

entrada: Condições Gerais

Botânica

Vasco Araújo

2014-03-13
2014-05-18
Curadoria: Emília Tavares
Une société est raciste ou ne l’est pas. Il n’existe pas de degrés du racisme

Frantz Fanon

Através de 12 objetos escultóricos, o artista aborda o tema da representação do “exótico” pela cultura colonial dos séculos XIX e XX. Uma Ditadura que sustentou um império colonial até 1975, um dos últimos no contexto do continente europeu a ser desmembrado, assim como uma descolonização abrupta e traumática explicam, em grande medida, o tardio desenvolvimento dum pensamento pós-colonial.

Vasco Araújo é um dos artistas que mais tem refletido sobre o “exótico”, indagando de forma crítica as suas formas de inserção e permanência no imaginário nacional. Nesta série, alude a várias questões que estão na origem da sua constituição e utilização como produtor de estereótipos e desagregações culturais nas sociedades colonizadas. As imagens de arquivo que o artista selecionou são um mapa das muitas cambiantes que o processo colonizador teve em que, independentemente do lugar e da cultura, o que prevalece é a violência sobre o Outro e a sua redução a “primitivo”, num quadro de deturpada interpretação evolucionista da espécie.

Botânica é uma série incómoda, desafiante da nossa habitual modorra perante um passado comprometedor. As imagens com que o artista nos confronta são, ainda hoje, polémicas, muitas foram resguardadas do olhar das gerações que se seguiram ao império e à guerra colonial, como forma de desresponsabilizar consciências e introduzir semânticas opacas de luso-tropicalismo e lusofonia.

No contexto desta exposição, decidimos ainda apresentar algumas obras de arte portuguesas que refletem, através de várias épocas, a visão estética do “exótico” e o formalismo das suas representações, em que a matéria do imaginário ocidental sobre o Outro sempre se estabeleceu numa esfera de superioridade evolucionista, entre um espírito de fascínio e repulsa.

Botânica também faz parte dum discurso de resiliência para com o comodismo artístico e a ignorância do passado mas, acima de tudo, afirma a possibilidade dum pensamento crítico sobre a nossa história colonial, a imigração, os bairros problemáticos, as políticas de integração, o multiculturalismo de fachada ou uma lusofonia economicista recheada de interesses económicos e estratégicos.

Emília Tavares




Atividades

    2014-03-20 18h30
    VISITA GUIADA POR VASCO ARAÚJO
    2014-04-10 18h30
    VISITA GUIADA POR EMÍLIA TAVARES
    2014-05-07 19h00
    MESA REDONDA
    2014-05-15 18h30
    VISITA GUIADA POR RUI AFONSO SANTOS
Ver todas as atividades 3

Em Exibição

Sarah Affonso. Os dias das pequenas coisas

2019-09-13
2020-03-22
Curadoria: Maria de Aires Silveira e Emília Ferreira
A exposição dedicada a Sarah Affonso (Lisboa, 1899 – 1983) é uma de duas que, neste ano em que se celebram os 120 anos do nascimento da artista modernista, recordam a sua vida e obra
Exposição temporária

CAIS Urbana

Curadoria: Mistaker Maker
Exposição comemorativa dos 25 anos da Associação CAIS
Exposição temporária

Inês Norton.

Please [do not] touch

2019-06-28
2019-10-27
Curadoria: Adelaide Ginga e Emília Ferreira
Esta exposição de Inês Norton sublinha a necessidade de recuperar a plena consciência do corpo, sob pena de perdermos o essencial do que é ser humano
Exposição individual

Henrique Vieira Ribeiro. O Arquivista. Projeto CT1LN: parte II

2019-06-19
2019-10-13
Curadoria: Adelaide Ginga
O projeto CT1LN de Henrique Vieira Ribeiro tem vindo a ser desenvolvido desde 2014 e consiste na interpretação artística de um espólio acumulado ao longo de quatro décadas por um radioamador, o personagem Paulo V.
Exposição individual

Rui Macedo. (In)dispensável ou a pintura que inquieta a colecção do museu

2019-05-14
2019-09-29
Curadoria: Emília Ferreira
Recordando-nos que um artista é um caçador-recolector, um respigador de sentidos, de formas, problemas e propostas, esta exposição relembra-nos que um museu é um local de constante e inquietante descoberta.
Exposição temporária

ARTE PORTUGUESA. RAZÕES E EMOÇÕES

2018-04-20
2019-09-29
Curadoria: Maria de Aires Silveira, Emília Tavares, Emília Ferreira
A presente exposição da coleção abrange grande parte do seu arco temporal, desde meados do século XIX até à década de 80 do século XX ocupando a totalidade das galerias da Ala da rua Serpa Pinto
Exposição da coleção