Sala Polivalente

entrada: 5.00€

Sarau

Gavin Russom e Aquaparque

2009-02-12
Curadoria: Filho Único

GAVIN RUSSOM


Uma sala, um P.A., um público, um sinal – som e espaço. Dois universos intrinsecamente ligados à música, raras vezes interiorizados e manuseados com tanta ciência e carinho como por Gavin Russom. Construtor de sintetizadores e parafernália electrónica, escultor, profeta do cósmico e do estelar, focado em desenhar aquilo a que soam “as sensações (...) quando estados psicológicos e espaços físicos interagem”.
O mundo começa a dar pela sua presença com o primeiro lançamento para uma DFA que, à época, acabava de se mostrar ao mundo com singles clássicos de LCD Soundsystem, The Rapture e a obra-prima de uma coisa ainda hoje sem nome que é ‘Beaches & Canyons’, dos Black Dice. “El Monte”, esse primeiro 12” de Delia Gonzalez (sua colaboradora de longa data) & Gavin Russom, bem como o LP que se seguiu, ‘Days of Mars’, tornaram-se de imediato dois marcos da electrónica e psicadélia desta década. Ajudaram de forma fundamental a influenciar e afirmar o ideário cósmico no panorama da produção de música de dança actual, trabalhando os ensinamentos dos mestres do kraut de Manuel Göttsching, Tangerine Dream e Klaus Schulze de como alcançar as estrelas através do som. Se hoje o cosmic disco, a op art imprópria para epilépticos ou o ideário new age são enormes espaços de criação artística em vários domínios, responsabilidade devida a Russom.
Construindo o seu vocabulário através de máquinas que ele mesmo fabrica, pode moldar o som desde o primeiro momento até à arquitectura final das suas peças com controlo absoluto em todos os processos. Génio do impacto acústico no corpo e no espaço, ajudou a montar o estúdio Plantain da DFA, para além de ter construído uma parte fundamental do arsenal sónico utilizado pelos Black Dice. Para os seus registos, a definição, textura e poder sonoros são avassaladores. Camadas e camadas de sintetizadores como fractais a aparecerem, a sobreporem-se, a desaparecerem, em constantes fugas e aproximações ao infinito, num corpo acústico indomável, de graves imponentes e leads radiantes.
É música para a pista de dança que pode existir na cabeça de cada um de nós, se para aí estivermos virados e para aí quisermos viajar. Contudo, terá havido sempre uma curiosidade de provavelmente todos os que alguma vez escutaram estas faixas, de como seria se houvesse um kick e um beat a comandá-las a pulso para o céu.
Num movimento oposto ao que Omar S fez com o já clássico do techno cósmico do ano passado “Psychotic Photosynthesis”, Russom, depois de anos sem dar o 4/4 que põe o universo a rodopiar, acaba de o deixar cair com a maior autoridade e feeling. Caso em questão a recente remistura para “Oasis” de Petar Dundov, um exercício monumental em progressivo e ascese através de sintetizadores modulares, para quem sempre quis que o trance tivesse bom gosto e que o techno tivesse nascido de uma explosão meteórica. 
Após alguns anos discretos no campo da edição, 2009 prevê-se um ano com elevado ritmo de produção para Russom (e com kick drums). Está planeado um lançamento em nome próprio, bem como o primeiro de uma série de três 12”s enquanto Black Meteoric Star, tudo sempre na DFA. Este último nome um projecto seu a solo inteiramente dedicado a uma revisitação, actualização e progressão do acid house, género com o qual contacta desde os primeiros anos da TRAX (mais especificamente desde que escutou em 1988 “The Groove”, do maxi ‘Jack The Beat’ de Lidell Townsell), cujas faixas começam a aparecer aqui e ali em sets. “Death Tunnel”, uma delas, é hino instantâneo, acid de 2009 para 2009 voar como ninguém voou antes, enquanto outra, “World Eater”, é puro jack para astronautas sem truques. Os três maxis terão artwork do próprio Gavin, cada um acompanhado com posters que fazem parte de uma série de objectos que quer para efeitos sinestésicos – o som são as imagens são o som.
Seja a nossa pista de dança uma da mente ou a do beat marcado, este será o ano em que Gavin Russom traz o espaço para a sala de concertos e para a pista para nos levar para o espaço outra vez. Armado com um arsenal de sintetizadores, guitarra e voz para este concerto no Museu do Chiado, é um privilégio poder vê-lo descolar.


myspace
www.myspace.com/gavinrussom 

editora www.myspace.com/dfarecord

video www.youtube.com/watch?v=dAmgmgPwLb8 ao vivo em Paris, parte 1

video www.youtube.com/watch?v=fVTpTH-holA ao vivo em Paris, parte 2

video www.youtube.com/watch?v=VHhrXUJLHak "Relevee"

video www.youtube.com/watch?v=VHhrXUJLHak entrevista a Delia e Gavin

 

AQUAPARQUE

Tenho 25 anos e nunca tive quem cantasse como eu sentia, de onde eu sou, como eu vivo, quando eu vivo. As canções em português que valiam a pena que a minha geração passou o tempo a ouvir sempre foram de gente que já partiu deste mundo ou com um trabalho longínquo no tempo. Tentamos (por vezes conseguimos, profundamente) ligar-nos à vida e compreensão das coisas em histórias de outros sítios, a partir de outras vidas, outras realidades. É essa qualidade universal que as maiores canções têm, das indecifráveis às completamente claras, que os Aquaparque, banda que hoje se divide entre o Porto e Lisboa, possuem também. Contudo, fazem, dizem e sentem as coisas como só nós cá personificamos e sabemos expressar. Afinal de contas esta língua é a nossa, e a vivência de quem cá anda nisto; tudo o resto tornam-se aproximações, por mais gloriosas que sejam, por mais que nos ensinem. Até à primeira vez que ouvi uma canção dos Aquaparque nunca tinha sentido que alguém, cá, cantava a minha geração, ou cantava como alguém da minha geração, realmente; tão visceral e simples quanto isto. É complicado cantar em português. Tem uma métrica lixada de musicar, palavras com toneladas de peso fonético e dramático difíceis de carregar na dicção, um fraseado que pede uma secura que poucos têm bagagem suficiente para produzir. As bandas portuguesas das últimas duas décadas, quando não estavam ocupadas a cantar em inglês, pareciam desconfortáveis com o que diziam, falavam e sentiam quando o cantavam. As palavras não lhes saíam com propriedade, com a naturalidade do discurso, com a honestidade emocional do princípio ao fim.Os Aquaparque não fazem "canção portuguesa" (daquela que cheira obviamente a rio, saudade e outras coisas de postal), não fazem rock (aprenderam que era possível esquecê-lo para soarmos a nós, mesmo que tenham crescido com guitarras); talvez o que façam seja pop, mas que pop soa assim? Fazem, isso sim, e pela primeira vez desde os melhores Heróis do Mar, António Variações, GNR e Pop Dell'Arte, verdadeira canção de formas contemporâneas, cantada em português. 'É Isso Aí', o seu disco de estreia é cantado como André Ferreira (letras, programações, vozes) e Pedro Magina (voz principal, teclado), os dois membros, falam na rua, cá, um para o outro, para os amigos, para a família, para desconhecidos, mas também é mais que isso. É uma poética que por vezes soa a calão espiritual, por outras à mais fluente e simples das canções de amor, escárnio e rodopio. As melodias de voz e métricas de Magina uma espécie de Luís Portugal baleárico, uivos de peito aberto, pontuados por indicações vocais de Ferreira, algures entre um gingar pugilista e uma briga de rua transcendental.As canções, colagens de samples tratados que dinamitam qualquer noção de género e vocabulário musical prévio. Batidas cortadas, guitarras acústicas retiradas do contexto, percussões tribais suburbanizadas, linhas de baixo fora de qualquer cartilha, sintetizadores de marinheiro perdido. Canções sem A>B, com várias secções, micro-universos, fontes sonoras, segmentos mixados, coisas que só podem ser contadas desta (outra) forma, que não soam a absolutamente mais nada que não isto, mesmo que informadas por pop, techno, hip hop, funk ou folk. Para além de nos deixarem com um oceano de concretizações inauditas, os Aquaparque deixam-nos com outro de possibilidades. No meio de hinos que soam a ancestral, bombas cáusticas a destilar humor e um domínio supremo do absurdo, à grande canção portuguesa de amor desta década, reside toda uma prova de como sermos enormes e autênticos, como mais ninguém o pode ser, e como tantos, pelo resto do mundo, se têm tornado em canção - originais, pioneiros, singulares. A maior das admirações a quem pensou e sentiu tanto que ousou fazer este disco, um marco da história da música nacional.

myspace www.myspace.com/aquaparque
video www.youtube.com/watch?v=Th_9cBSDo4U ao vivo
video  www.youtube.com/watch?v=sxOaxBEfg80 video promocional 

 

Em Exibição

CONVITE

2019-11-01
2019-12-08
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DANIEL CANOGAR. Teratologias

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2019-11-01
2019-12-08
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2020-01-05
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"Espaço Interior" faz parte de um projecto de investigação em desenvolvimento, sobre a construção da imaginação arquitectónica.
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Trienal de Arquitetura

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2020-01-05
Curadoria: Mariabruna Fabrizi e Fosco Lucarelli
A Trienal de Arquitectura de Lisboa e o Museu Nacional de Arte Contemporânea têm o prazer de convidar para a Inauguração da Exposição Espaço Interior que se realiza na próxima Sexta-feira, 4 de Outubro, a partir das 19h00
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2019-09-13
2020-03-22
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A exposição dedicada a Sarah Affonso (Lisboa, 1899 – 1983) é uma de duas que, neste ano em que se celebram os 120 anos do nascimento da artista modernista, recordam a sua vida e obra
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CAIS Urbana

Curadoria: Mistaker Maker
Exposição comemorativa dos 25 anos da Associação CAIS
Exposição temporária