Jardim de Esculturas

Entrada Livre

Noites de Verão 2018

2018-08-03
2018-08-24

NOITES DE VERÃO 2018

concertos às Sextas-feiras 

em Agosto no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado

pelas 19h30 e com entrada livre

03 de Agosto - Brigid Mae Power (IE)  

10 de Agosto - Rafael Toral revisita "Wave Field” Versão Surround (PT)  

17 de Agosto - Sallim (PT)  

24 de Agosto - Barre Philips (US)

 

 

03 de Agosto - Brigid Mae Power

Quando se estreou em 2016 com o seu álbum homónimo, Brigid Mae Power forçou um exercício pouco comum: pensar na folk como acção de futuro. Irlandesa, nascida em Londres, com vida em Nova Iorque, um álbum gravado no Oregon e outro em Galway (onde actualmente reside), tem no currículo colaborações com Lee Ranaldo, Alasdair Roberts e Richard Dawson, é versátil no acordeão, ukelele, piano e harmónio e conta com a visão de Peter Broderick na produção dos seus álbuns. Detalhes que pouco justificam a sua música de sobrevivência, de coragem e clarividência, que procura e cria estímulos enquanto se desenvolve, mas que ajudam a perceber como se completa e satisfaz em si mesma, em circuito fechado. Brigid Mae Power convida à reconfiguração do mantra na folk, celebra o extraordinário da repetição e faz um brinde conjunto a John Fahey, Fairport Convention, Joni Mitchell, Terry Riley e Bob Dylan. No seu mais recente “The Two Worlds”, desbasta o carácter devocional da sua música – anunciado logo na primeira canção do seu primeiro álbum, “It’s Clearing Now” – e celebra as luzes da libertação. Música livre, cheia de coração e com um apetite voraz. Uma estreia em Portugal que nos é muito querida.

 

Canal Youtube - https://www.youtube.com/channel/UCttccvuj9Kwt1Ho577JbBMQ 

 

 

10 de Agosto - Rafael Toral revisita "Wave Field” Versão Surround

A propósito das recentes reedições da Drag City de dois álbuns seminais de Rafael Toral, “Sound Mind Sound Body” e “Wave Field”, surgiu o desafio para uma revisitação à música ambiente que compôs para guitarra durante os 1990s e parte da década seguinte. Apresentar “Wave Field” ao vivo, cerca de um quarto de século após a sua criação, revelou-se como a escolha óbvia dado o carácter transformativo da obra e a expansão além do domínio da música ambiental. A música de “Wave Field” surge subitamente na vida de Rafael Toral, num momento em que descobria novas abordagens para pensar na música que queria compor. Quando os Buzzcocks abriram para os Nirvana, em Cascais, fevereiro de 1994, Toral apercebeu-se de que a má acústica da sala criava um som eléctrico-flutuante único que o inspirou a explorar a ressonância da guitarra para territórios mais abstractos. O material base de “Wave Field” foi gravado ao longo de uma tarde, mas Toral trabalhou cerca de um ano a misturar o álbum e a afiná-lo para que concretizasse aquilo que imaginou. “Wave Field” renova-se constantemente, à vontade do ouvinte - ou não -, como uma corrente de som que flui para o infinito. Há uma delicadeza e candura nos sons que gravou, que permitem que seja um álbum ambiente-suave, quase como música de embalar; ouvido mais alto sofre uma metamorfose, as diferentes camadas e as ressonâncias relembram que a base é som extraído de uma guitarra e que existe uma base rock, eléctrica, na sua composição. Ao vivo, “Wave Field” será apresentado em surround, com um sistema multicanal que será instalado no centro do Jardim das Esculturas. Rafael Toral irá operar uma mistura especial de “Wave Field” na mesa, preparada especialmente para esta ocasião. Único e histórico.

 

Remastered - https://rafaeltoral-r.bandcamp.com/album/wave-field-remastered 

Reedição Drag City - http://www.dragcity.com/products/wave-field 

 

 

17 de Agosto - Sallim

Jovem cantautora nacional, com gracioso talento também em desenho e artes gráficas, que lançou o mui incensado “Isula” há dois anos - num serão memorável na Galeria Monumental - e que integra as fileiras do colectivo e editora Cafetra Records, de Lisboa. Em voz e guitarra tem construído um repertório sofisticado de canções doces, suavemente acima do chão, com ecos de Mafalda Veiga ou Mazzy Star num sonho distante e uma linguagem sua a aprimorar-se a olhos e ouvidos actuais. 

Vitor Belanciano na sua crítica para o Público qualificou a sua música e justamente de “flor tridimensional”, e nesta ocasião teremos oportunidade de conferir os novos avanços e canções que irão integrar o aguardado segundo álbum. 

 

Bandcamp - https://sallim.bandcamp.com/ 

Vídeo “Nada Igual” - https://youtu.be/5bl_ZELw1_4 

 

 

24 de Agosto - Barre Philips

Este cavalheiro octogenário natural de San Francisco, há muito sediado no Sul de França, é simplesmente um dos contrabaixistas mais seminais na definição do que foi o cruzar do movimento cultural do free jazz Norte-Americano e a esteira da improvisação livre Europeia a partir da década de 60, contribuindo para novas e múltiplas avenidas de expressão em música e som. Ao longo da década tocou e gravou ao lado de ilustres como Eric Dolphy, Archie Shepp, Lee Konitz ou Marion Brown, e as suas gravações em ’68 de improvisações a solo de contrabaixo, editados nos Estados Unidos como Journal VioloneUnaccompanied Barre no Reino Unido, e Basse Barre em França, é usualmente referido como o primeiro disco a solo de contrabaixo - assim como o disco de 1971 Music from Two Basses, com Dave Holland, na ECM, o é para a catalogação como o primeiro dueto de contrabaixos alguma vez lançado. Com uma discografia extensa - gravou em estúdio e ao vivo encontros em dueto com Barry Guy, Keiji Haino, Peter Kowald ou Derek Bailey, em trio como o com Evan Parker e Paul Bley no início dos 90, e mais recentemente títulos com Joe e Mat Maneri - e apresentações regulares ao vivo com pares de diferentes gerações, tem também ao longo do tempo trabalhado em música para cinema, como nos casos de Merry-Go-Round, de Jacques Rivette, de 1981, ou Naked Lunch, de David Cronemberg, de 1991, com Ornette Coleman.

Não sendo um estreante em visitas a Portugal, esta será por ventura a primeira vez que se apresentará a solo no nosso país, uma ocasião que nos enche de particular regozijo, tamanho o exemplo de talento, persistência e honestidade do músico em questão.

 

“Basse Barre” (1968) - https://youtu.be/lIddURQWdMI 

“Call me when you get there” (1984, ECM) - https://www.youtube.com/watch?v=D2C-ChDnI7Q