Alfredo Keil, Sem Título [Cleyde Cinatti e Alfredo Keil] , 1877
Alfredo Keil, Sem Título [Cleyde Cinatti e Alfredo Keil] , 1877

Piso 2 - Sala Dos Fornos

entrada: Condições Gerais

Dilema de ser e parecer

o retrato na pintura, fotografia e escultura (1850-1916)

2020-11-18
2021-04-18
Curadoria: Maria de Aires Silveira, Emília Tavares
Esta exposição apresenta, pela primeira vez, um diálogo entre a pintura, a fotografia e escultura, na segunda metade do século XIX, a partir da coleção do MNAC e da coleção do Arquivo de Documentação Fotográfica da DGPC.

Esse diálogo é realizado a partir de um dos mais tradicionais géneros artísticos — o retrato —, já que a invenção da fotografia em 1839, introduziu de forma significativa um novo paradigma perante a representação do sujeito. Os estúdios comerciais de retrato vão afirmar-se ao longo deste período, impondo-se a uma sociedade burguesa ávida de novidade e de instrumentos de consagração da sua importância social.

A fotografia veio dar visibilidade a uma sociedade do parecer, de forma massificada e verista, que inevitavelmente se confrontaria com os conceitos metafísicos da pintura de retrato. Por isso, ao longo desta exposição, propomos uma visão altercada entre os modelos mecânicos e veristas da representação do sujeito e a sua estética interpretativa desde o romantismo ao naturalismo.

Nesse diálogo encontramos uma evidente transferência de influências, já que o retrato fotográfico foi compilado a partir das referências interpretativas pictóricas, mas a pintura também se reformulou perante o novo gosto realista fotográfico do detalhe e da verosimilhança.

Através de seis núcleos, abordam-se algumas das correntes e conceitos mais relevantes que marcaram a estética do retrato, e de que modo a fotografia, a pintura e a escultura foram evoluindo a sua estética e definindo novos modelos artísticos, que foram também representativos das mudanças sociais da arte. Transparece a sedução pela modernidade, através de “fórmulas naturalistas da "arte moderna”, como comentara Ramalho Ortigão, em 1883.

Entre o ser e o parecer, entre a verdade na arte e a vontade de introduzir o realismo como nova expressão artística, estabelece-se o dilema, a partir da afirmação do artista com entusiasmo inovador na observação do autorretrato, do drama humano e retrato da natureza, em apontamentos no intimismo, até à realização do que o espírito sente, em retratos captados sob a influência do sujeito e orgulhosos dos seus “inconscientes imortais”.

Emília Tavares
Maria de Aires Silveira

Atividades

  • 2020-12-11 16h00
    What’s in a Picture? A propósito do Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Palestra com Rogério Puga
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