José Maçãs de Carvalho,
José Maçãs de Carvalho, "Arquivo e Melancolia", still video, HD, cor, som, 2016. © José Maçãs de Carvalho

Sala SONAE

entrada: Condições Gerais

José Maçãs de Carvalho. Arquivo e Melancolia

2016-05-12
2016-09-01
Curadoria: Adelaide Ginga

Arquivo e Melancolia 

Naquilo que Hal Foster de­finiu por “archival impulse”, José Maçãs de Carvalho, decide, em 2011, iniciar um trabalho de visualização e classifi­cação de todos os negativos que vem a realizar desde 1988. Toma por premissas os conceitos de “Arquivo” e de “Memória” para a nova produção que a partir daí desenvolve. Arquivo e Melancolia é o quinto trabalho de uma série que o artista tem vindo a apresentar em Portugal. Esta criação resgata uma fotogra­fia realizada em Macau por José Maçãs de Carvalho, no ano de 1996. A imagem de uma parede, pertencente a uma pequena empresa que se dedica à manutenção de barcos, erigida com milhares de peças de ferragem. O fascínio do artista por este elemento urbano centra-se na sua dimensão poética de arquivo/depósito e em 2011 regressa ao mesmo local para realizar um vídeo. A imagem em plano fixo da parede evoca o caráter espectral da fotogra­fia, onde a melancolia se instala. A imagem das pessoas que passam é reduzida ao conceito de seres voláteis, quase incorpóreos, que aparecem e desaparecem num tempo fragmentado. A dessintonia temporal entre a imagem ­imóvel – que estabelece um tempo interno e contínuo – e a imagem em movimento – que a­firma o tempo externo e fragmentado –, apresenta-se como uma junção de dois níveis de discurso independentes, duas camadas de linguagem, arquivadas no mesmo registo fílmico. Esta dissociação cognitiva de dois tempos é acentuada em algumas situações ao longo do filme. O recurso a um discurso com ritmos diferentes é precisamente uma das características dos fi­lmes de José Maçãs de Carvalho, que se pautam por uma intensa linguagem plástica, e que em Arquivo e Melancolia alcançam outra importância acrescida. Arquivo e Melancolia é um trabalho sobre as diversas expressões do tempo, que ganha representação no conceito de Arquivo, e que, em determinados momentos, abre espaço a estados como a Melancolia e a novas perspetivas de entendimento. A estrutura desta criação artística assenta num subtil discurso binário e sinestésico, que espelha o apuro da pesquisa levada a cabo por José Maçãs de Carvalho sobre a textura do tempo, a sua materialização e o inverso. Uma obra epistemológica de natureza poética. 

Adelaide Ginga 

Curadora 


FICHA TÉCNICA VÍDEO

José Maçãs de Carvalho, "Arquivo e Melancolia" (Archive and Melancholy), vídeo | video , HD, cor | color, som | sound, 26´35´´, 2016.

Realização

José Maçãs de Carvalho

Montagem 

José Maçãs de Carvalho,

Apoio à montagem 

António Olaio

Pós-produção de imagem 

Rui Xavier

Sonoplastia 

Marco Conceição

Músicos 

António Augusto Aguiar, Sofia Lourenço, Nuno Pinto, João Figueiredo, Sandra Morais, Ana Sofia Leão, André Santos, Hugo Peres.

Apoios 

Escola Superior Música, Artes e Espetáculo do Instituto Politécnico do Porto e

Colégio das Artes da Universidade de Coimbra.







Apoios

Atividades

    2016-05-12 19h00
    Inauguração da Exposição de José Maçãs de Carvalho: Arquivo e melancolia
Ver todas as atividades 1

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