Inauguração da exposição Terás visto o mar? Memórias do Tarrafal, de João Pina

2026-10-14

Com curadoria de Emília Tavares, Terás visto o mar? Memórias do Tarrafal assinala os 100 anos da instauração dos regimes ditatoriais em Portugal e os 90 anos da criação do Campo do Tarrafal. Resultado de vários anos de investigação desenvolvidos por João Pina em torno da história e memória daquele campo de concentração em Cabo Verde, a exposição revisita um dos mais emblemáticos lugares de repressão política do Estado Novo. O título inspira-se numa das cartas enviadas ao seu avô, Guilherme da Costa Carvalho, enquanto ali esteve preso.

Com origem no arquivo familiar do artista, constituído por cerca de 800 cartas, fotografias e documentos pertencentes aos seus bisavós, Luíz Alves de Carvalho e Herculana da Costa Dias Carvalho, e ao seu avô, Guilherme da Costa Carvalho, preso político no Tarrafal entre 1949 e 1951, a exposição reúne aproximadamente 250 imagens e documentação histórica.

Através deste conjunto documental singular, João Pina revisita a memória da resistência antifascista portuguesa, questionando simultaneamente as heranças do colonialismo e a forma como a fotografia pode contribuir para a construção de uma cultura de liberdade e consciência histórica.

Reunindo fotografias contemporâneas, imagens de arquivo, objetos, documentos históricos e testemunhos, a exposição aborda o Campo do Tarrafal enquanto símbolo da repressão política do Estado Novo. Criado em 1936 para encarcerar opositores ao regime, o campo acolheu posteriormente militantes dos movimentos de libertação das então colónias portuguesas, apenas encerrando as portas em 1974 após a revolução portuguesa.

Através do cruzamento entre investigação documental e prática fotográfica, João Pina constrói uma narrativa visual que recupera experiências frequentemente ausentes da história oficial, abordando temas como a resistência, a violência política, a memória pós-colonial e a transmissão intergeracional das experiências traumáticas.

A exposição é organizada em coprodução entre o Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado e a Museus Porto, permanecendo patente no MNAC até 24 de janeiro de 2027, seguindo posteriormente para a Alfândega do Porto, onde será apresentada entre março e julho de 2027.