Jardim das Esculturas

entrada: Condições Gerais

A Pintura sublimou o espírito

2022-07-28
2022-10-30
Curadoria: Hilda Frias

Após residência artística no Museu Nacional de Arte Contemporânea, este é o fruto de um trabalho e pesquisa persistentes, de Nelson Ferreira. O artista decidiu prestar homenagem aos artistas académicos e ao seu conhecimento profundo da arte do desenho e da pintura.

Nelson pintou os estudos a aguarela usando a desafiante técnica de alla prima – pintados directamente a olhar para as estátuas, sem lápis, apenas com as tintas e pincel.

Sendo aguarelas sobre papel absorvente, o artista tem de pintar tudo sem hesitar, sem poder corrigir nenhum erro.

Para as telas de maior formato, pintadas com tinta acrílica, houve recurso a fotografia de modelo para criar diálogos afectivos entre esculturas e seres humanos.

O espaço depurado do Jardim das Esculturas, remete-nos para os jardins islâmicos ou mouriscos ou para uma Lisboa antiga mas, mais implicitamente, para um Hortus Conclusus medieval, o paraíso terrestre do Cântico dos Cânticos.

A simbologia remete para Maria, virginal, sem pecado, num jardim murado, a representação do seu corpo, para sempre, sem mácula.

A residência artística, sem paralelo na história do Museu Nacional de Arte Contemporânea, levou-o a criar obras pictóricas com base nas esculturas que povoam um espaço único em que, no crepúsculo, as sombras se tornam imagens fantasmagóricas e difusas.

E será o Azul o matiz escolhido para estas pinturas resistentes à luz e à água, que poderão durar milénios e serem contempladas por díspares olhares.

Fazendo as suas próprias tintas, utilizando pigmentos modernos e também antigos como o lápis-lazúli, extraído das minas de Badakhshan (visitadas por Marco Polo), nas montanhas de Afeganistão, são conseguidos um sem número de matizes em que as centenas de tons de azul levam à ilusão de pinturas multicoloridas.

É, portanto, uma pintura contida, restringida, ligada à simbólica alquímica da utilização do lápis-lazúli. O artista impõe-se a ele mesmo a utilização do Azul.

Uma pedra de lápis-lazúli de alta qualidade contém veios azuis (lazurite), veios brancos (calcite) e pontos amarelos (pirite), o que nos remete logo para a simbologia do céu, nuvens e estrelas.

A substancia “celestial”, que serviu para pintar o manto da Virgem Maria e que era visto como um pedaço de céu que tinha alcançado a terra, era de tal elevado valor comercial e simbólico, que em

Portugal, só Lourenço de Salzedo a coloca numa das pinturas do retábulo do Mosteiro dos Jerónimos.

Há 600 anos, já Cennino Cennini escrevia no seu tratado de pintura que o lápis-lazúli era o mais importante dos pigmentos “cor nobre e bela, a mais perfeita de todas as cores, da qual nada se pode dizer ou fazer que a sua qualidade não ultrapasse”[1]

Neste ciclo de obras contemporâneas fica atestada a reverência de Nelson para com os grandes mestres clássicos e de tradição académica.

Hilda Frias

Julho 2022


[1] Cennini, Cennino,I Libro dell’Arte, edição de F. Frezzato, Vicenza, NeriPozza Editore, 2003.





Em Exibição

Música no Jardim do MNAC

2022-08-05
2022-08-26
Noites de Verão - Concertos de Música
.

curta-metragem 'Azul no Azul'

2022-07-28
2022-09-15
Curadoria: Nelson Ferreira
Azul no Azul: O realizador italiano Gianmarco Donaggio lança a curta-metragem experimental 'Azul no Azul', uma viagem cinematográfica dentro do jardim das esculturas do MNAC - Museu Nacional de Arte Contemporânea.
Vídeo

Exposição

Galeria PeP do MNAC

2022-07-21
2022-09-04
Curadoria: Sílvia Berény e Rita Brandão
DEAMBULAÇÕES DE UM GRUPO DE CRIANÇAS DA ESCOLA OSMOPE PELA RUA MOUZINHO DA SILVEIRA NO PORTO
.

Veloso Salgado

de Lisboa a Wissant. Itinerário de um pintor português

2022-07-02
2022-12-15
Curadoria: Maria de Aires Silveira
Exposição Veloso Salgado de Lisboa a Wissant. Itinerário de um pintor português - integrada na programação da Temporada Portugal-França (Cruzada)
Exposição temporária

111 anos

2022-05-26
2024-04-01
Uma intervenção que celebra os 110 anos do MNAC.
.

‘There’s a shite stunk in the air… Dad’s oot oan bail! de Edgar Martins

2022-05-25
2022-08-21
A exposição reflecte a abordagem que tem tido o trabalho de Edgar Martins enquanto fotógrafo, em que o foco recai em ambientes de difícil acesso e no diálogo que estes ambientes provocam.
Exposição individual

A OUTRA VIDA DOS ANIMAIS

2022-05-05
2022-08-28
Curadoria: Emília Ferreira
Esta exposição de animais reais e fantásticos conta com obras de desenho, pintura, fotografia, cerâmica, escultura e media art tendo sido pensada para um público mais jovem, mas onde todas as idades são bem-vindas.
Exposição temporária

‘Não sei se posso desejar-lhe um feliz ano’

2022-04-14
2022-08-28
Curadoria: Adelaide Duarte
‘Não sei se posso desejar-lhe um feliz ano’. Obras da colecção de Mário Teixeira da Silva com curadoria de Adelaide Duarte.
Exposição temporária

Paisagens povoadas

Narrativas da colecção do MNAC (1850-1930)

2022-02-16
2022-08-28
Curadoria: Maria Aires Silveira
A estética da paisagem, em diálogo com a presença e intervenção humana na natureza.
Exposição temporária

Maria Eugénia & Francisco Garcia

Uma Coleção

2021-11-18
2022-09-18
Curadoria: Maria de Aires Silveira, Cristina Azevedo Tavares e Raquel Henriques da Silva
O MNAC expõe a coleção de Maria Eugénia e Francisco Garcia
Exposição temporária